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Como as novas plataformas de transporte estão a alterar a mobilidade nas cidades

Mobilidade

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Helsínquia, uma referência em mobilidade urbana

 

Sair do trabalho, recolher uma bicicleta numa doca para ir até à estação, apanhar o comboio e, depois, pegar numa trotinete para percorrer alguns quarteirões até chegar a casa. Tudo isto pode ser possível usando apenas uma aplicação no telemóvel, onde definimos o ponto de partida e de chegada e os meios que queremos utilizar. É este o segredo das plataformas de transporte.

 

Para muitas cidades do mundo este pode parecer um cenário do futuro, mas para os habitantes de Helsínquia já é uma realidade, basta usarem a plataforma de transporte Whim. Criada a pensar numa jornada porta-a-porta, a app Whim disponibiliza serviços de transporte da rede pública e da rede privada, integrando várias alternativas como o comboio, táxi ou sistemas partilhados de carros e de bicicletas. O objetivo é prestar o melhor serviço para cada cliente em concreto, dando-lhe a opção de ter uma subscrição mensal ou pagar apenas pelos serviços que utiliza.

 

Num cenário como este faz sentido ter carro próprio? Esta é precisamente a questão que a Whim lança, desafiando as pessoas a experimentarem estas plataformas de transporte que aliam tecnologia e tratamento de dados para trazer ganhos óbvios para a vida das pessoas. Trata-se no fundo da conjugação de sistemas de informação geográfica, que incluem recursos como o Google Maps, e a recolha de dados dos utilizadores, juntamente com a utilização de ferramentas de cloud computing, big data, machine learning e inteligência artificial, tendo sempre por base redes de telecomunicações cada vez mais rápidas.

 

A realidade portuguesa

 

As plataformas de transporte como a Uber ou Cabify foram as primeiros a chegar a Portugal, mas outras soluções de mobilidade partilhada começaram a entrar na rotina de alguns portugueses. É o caso da partilha de bicicletas, de ciclomotores ou das trotinetes elétricas. Olhando para o conjunto de soluções disponíveis, Madalena Beja, consultora na área da mobilidade da WAY2GO – Consultores Associados Lda,  salienta o “contributo esperado na perspetiva ambiental (consumos e emissões) por potenciar uma maior utilização de veículos/modos menos poluentes ou mais eficientes, mas também a longo prazo em termos a redução da posse de veículo próprio (com impacto em termos das necessidades de estacionamento)”. Isto para além da mudança de mentalidades que já se começa a fazer sentir.

 

Um estudo do instituto “Shared-Use Mobility Center” para a Agência de Transportes Públicos Americana (APTA), com base em 4500 entrevistas comprova estas afirmações. As respostas dos inquiridos evidenciam um conjunto de ganhos:

 

  • 21% referem ter adiado a compra de um veículo;

  • 22% afirmam ter desistido de comprar um carro;

  • 27% dizem ter vendido o seu veículo;

  • 30% garantem que gastam menos tempo no trânsito.

 

Os portugueses também já estão a sentir esta nova realidade. Segundo um estudo da Deloitte, encomendado pela Uber, os habitantes de Lisboa garantem que já ganharam em várias frentes com a chegada desta plataforma de transporte:

 

  • 41% dos utilizadores já reduziram a utilização de carro próprio nas deslocações de curta duração;

  • 87% consideram que o serviço é tão ou mais seguro que o automóvel privado;

  • 80% considera que há uma melhor relação qualidade-preço do que os transportes públicos.

 

 

Mobilidade e impacto no parque automóvel

 

Consciente da importância que as plataformas de transporte podem ter na melhoria da mobilidade, a própria Uber já está a desenvolver soluções que potenciam estes ganhos. Produtos como a UberPool - serviço de carsharing -  ou UberGreen - serviço baseado em carros elétricos - apostam em novas soluções de mobilidade. Por outro lado, em algumas cidades dos EUA, como Los Angeles, a plataforma já integra bicicletas e trotinetes, a par do serviço Uber, apostando no conceito de Mobility-as-a-Service (MaaS), uma única plataforma que agrega vários soluções de transporte para responder às necessidades concretas de cada utilizador.

 

Olhando para o panorama global, Madalena Beja diz que “Portugal está fazendo o seu caminho”. Para além da mobilidade partilhada de bicicletas, de automóveis, de ciclomotores e trotinetes elétricas, há que acrescentar plataformas de car-Pooling, programadores de viagem próprios de operadores e sistemas específicos de gestão da mobilidade urbana. Neste caso, destaca os sistemas que permitem ter a informação em tempo real sobre disponibilidade de lugares em parques de estacionamento ou a organização das zonas de cargas e descargas em áreas chave das cidades.

 

É precisamente isso que já acontece em Cascais. Através do MobiCascais, é possível gerir e pagar todos os serviços conectados: bicicletas, comboio, autocarros, estacionamento, serviços de carsharing ou mesmo transporte de doentes. Em 16 meses conseguiram atingir 100.000 utilizadores, com vários testemunhos de redução da utilização do carro próprio ou mesmo de pessoas que acabaram por vender o segundo carro da família por poderem recorrer a um sistema como o MobiCascais.

 

Neste cenário, é expectável que o parque circulante venha a reduzir e que os veículos sejam cada vez mais utilizados para fazer negócio. De facto, a Uber já detém uma frota considerável de veículos em Portugal, que acompanha a crescente procura por sistemas de mobilidade. Assim, é provável que a manutenção programada venha a dar lugar à manutenção preditiva, onde as soluções de dados auto assumem uma importância vital.

Mobilidade . 14 fev. 2019

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